Família

Francisco

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Eu saí de casa com 15 anos de idade, vim pra aqui, e minha vida foi sempre andar pelo mundo. Morando na casa de meus parentes, tios, e tal. Com 23 anos de idade, eu estava morando em Feira de Santana na casa de um tio, e comecei meditar, pensar. Não tinha muita sabedoria pra falar com Deus, mas um dia eu senti, assim, de falar com Deus. Do meu jeito, né?

Puxa vida, eu tô com 23 anos, saí da casa dos meus pais, e eu acho muito bonito uma família: casal, os filhos, netos, tal. Comecei a pensar, e eu precisaria mudar, não depender só dos parentes, né, e eu ter um lar.

Eu olhava assim pra um lado, olhava pra outro... eu ganhava, em 64, 100 — é o quê, réis? cruzeiros? — trabalhando de motorista de uma Kombi em Feira de Santana. E eu pensava assim: "Puxa, com esse dinheiro, como é que eu vou alugar uma casa, casar e sustentar a família, que não tá dando nem pra mim?" Tinha dia que eu não tinha um centavo no bolso. E eu, com aquilo dentro de mim, mas eu preciso de uma família, eu preciso.

Aí, quando é um dia, eu tava na casa do meu tio, umas 8 horas da noite, entrou uma moça.

[Começam a cantar parte de India de Roberto Carlos]

"Índia, seus cabelos nos ombros caídos Negros como a noite que não tem luar Seus lábios de rosa para mim sorrindo E a doce meiguice desse seu olhar"

Muito bonita, mas fechadona, acompanhada de uma tia — porque a minha tia trabalhava de costura, né, e a tia dela levava trabalho. E essa moça acompanhou, ia com a tia essa noite. Olhei assim pra aquela mulherão: "Que pedaço de mau caminho!” Aí eu... deu aquela balançada assim, o coração véio. Naquele tempo era bom, né, era novo, era novo. Deu uma palpitada assim, dei uma encarada assim, ela tirou a vista. Mas na segunda vez que eu olhei, ela tava olhando assim meio de baixo do pano assim. E vai ser essa, eu vou dar um jeito. Tô sozinho, mas e o salário? Dá pra... Mas aí passou aquela noite, tal, mas eu já não dormi direito. Virava pra um lado, virava pro outro, quando eu to vendo aquela criatura na minha frente assim. "aquele cabelão bonito assim, ela tinha feito o cabelo assim, sabe?" Balançou, viu, balançou.

No outro dia eu dei um jeito de... eu ia trabalhar, e tinha um jeito de passar na casa dela — ela morava na mesma rua, né? Eu morava aqui e ela morava na casa do seu Waldemar, pertinho. Aí eu saí, tal, mas ia trabalhar. Mas aí acontece que eu ia assim, olhando pra frente e olhando pro lado, pro fundo da casa dela, né. Vi ela lá no quintal, né, ela tava... e eu digo: "Pronto, essa aí, pra começar, é a mulher esperta, né" Gente, a gente vai contar a história que vai dar um filme, né. E foi levando, levando, até que demorou muito, ela voltou lá pra entregar as costuras mais a tia. Aí eu já dei um jeitinho pra uma conversinha, né. Comecei, tá, "Falei seu nome e tal, fulano de tal. Você é nova aqui na rua, né?" — Você é nova aqui, você... o que é que você é da... chama a Sisi a tia dela, né?" "Eu sou sobrinha dela, tal, morava em tal lugar, tal." Aí já começou. "Tá melhorando, já começou, já conversou, já com aquele olhinho pidão..." [risos]

Pra encurtar a história. Aí começamos, né, namorando. Não, pera aí, eu comecei a namorar, aí convidei ela pro cinema. mas não... já foi depois, sabe. Antes disso, quando minha tia percebeu que eu tava gostando dela, minha tia começou a colocar gosto ruim, não queria. "Não, você não vai, tal, tal, tal", e etc. Aí levou a gente na casa de uma mulher que rezava lá, negócio de espiritismo. Aí a mulher, amiga dela, da minha tia, né, baixou um negócio e disse: "Não, olha, esse casamento não vai dar certo, tal. Quando eu sair..." — "Vai! Eu não vou perder essa mulher"

Aí começamos a namorar assim, meio devagar, né. Minha mãe veio de Nós pra conhecer, aí foi quando nós fomos pro cinema, né, eu, ela e minha mãe. Então o filme parece que era o Lampião, mas eu não olhei muito pro filme não. Aí eu já dei licença.

Aí, gente, o moral da história é o seguinte, né: então, como eu falei, eu tenho que arranjar uma família, aí, dia 25 de outubro de 1965 — 29 de outubro de 1965 — nós casamos. E, no ano seguinte, já apareceu a Nalva. E o que eu quero dizer é o seguinte: que eu pedi a Deus uma família, e Deus fez o seguinte — me deu mais do que uma família. Eu não mereço a família que eu tenho: meus filhos, meus genros, meus netos, minhas noras…

Eu costumo, na igreja, esses dias tava falando: "Quantos filhos você tem?" Falei: "Eu tenho cinco, eu tenho seis." Aí eu falei assim: "Quantos filhos você tem?" "14, 14, 14 filhos." Aí, rapaz, mas lá não tinha televisão, eu tinha mais essas coisas assim, porque a televisão não atrapalha não. Aí eu falei assim: é o seguinte, eu tenho 14 filhos, é porque sete são filhos de sangue, mas eu tenho sete genros e noras que eu considero como filho mesmo.

Então, moral da história, é que eu agradeço hoje a Deus a família que Ele me deu, e tô muito feliz nesses 70 anos, e ver vocês todos aqui, nessa tarde, além de meus filhos, meus genros e meus netos, minhas noras e meus amigos.

Essa aqui é pro Marcos…

[Seu Francisco canta Como Numa Ilha De Eliézer Rosae a família acompanha]

Cada dia que se passa, em sua vida é como um sonho Toda porta está fechada, a esperança não existe mais Você sente a escuridão eu sei, o seu rosto já não brilha Tá cercado em toda direção, está como numa ilha

Se você, perdeu tudo aqui, menos a fé em Deus Se você, perdeu tudo nesta vida, menos a fé Você não perdeu nada

Onde estão os teus amigos? Um a um se foram todos É assim na hora amarga, no final a gente fica só Mas há um que não nos deixa Mesmo quando a noite vem Você está sofrendo tanto, está como numa ilha

[Depois Seu Francisco canta parte de Feliz Aniversário de Mara Dalila]

Feliz Aniversário, junto com os seus Muitas felicidades, muitas bênçãos dos Céus Que Deus resplandeça, em vós a Sua Luz Que Sempre em Tua vida, possa ser bem feliz com Jesus

Deus Te guarde, Deus te guie e te ajude a caminhar No caminho da felicidade muitos anos com Cristo andar

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